
Responder à pergunta ‘Por onde anda Isabel?’, um dos ícones da geração que tornou o vôlei o segundo esporte do país na preferência dos torcedores, está longe de ser uma tarefa fácil. Após jogar por mais de 30 anos, ser técnica na quadra e na praia – onde treinou as filhas Maria Clara e Carolina – uma das maiores jogadoras da história, nascida no Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1960, segue tendo uma vida tão corrida quanto a estressante rotina de viagens, treinos e jogos comum a todo atleta de alto nível.
Isabel trocou de função e agora ajuda a gerir e supervisionar a carreira dos filhos esportistas – além das meninas, Pedro Solberg também é jogador de vôlei de praia – e ainda encontra tempo para curtir Pilar, sua primogênita, e o neto João.
- Embora a vida continue bem corrida, já que sigo acompanhando de perto as carreiras do Pedro, da Carol e da Maria, uma das vantagens que tenho é não ter carga horária definida (veja vídeo ao lado). Isso me possibilita estar mais próxima da Pilar, me dedicar mais a ela e ao meu neto. Esse tem sido um dos grandes prazeres da minha vida.
Ainda assim, tempo está longe de ser algo que Isabel tenha de sobra. A ex-jogadora ainda acompanha alguns dos treinos e jogos dos filhos na praia, mesmo os fora do Brasil, supervisiona a obra que realiza em sua casa – mora provisoriamente em um apartamento ao lado –, faz fisioterapia no calcanhar direito, que atualmente, lesionado, a impede de jogar por lazer e, pasmem, ainda quer encontrar uma brecha para estudar francês.
Quem conheceu a Isabel jogadora, porém, não deve se surpreender com a intensidade da vida da recém-aposentada técnica. Dos 12 aos 44 anos, a atacante começou no Flamengo, atuou por mais de dez clubes no Brasil, jogou no Japão, na Itália, na Seleção Brasileira e teve longa carreira no vôlei de praia, onde ainda curtiu a sensação de formar dupla com Maria Clara e, já próxima do fim da carreira, com Carolina, então com 17 anos. Depois de viver a carreira de forma tão intensa, as lembranças não poderiam ser poucas.
-Joguei duas Olimpíadas (1980 e 1984) e dois Pan-Americanos pela Seleção. O que levo de melhor, no fundo, é a sensação única de marcar um ponto. Ver a bola bater no chão dentro da quadra é indescritível. A maior tristeza, sem dúvida, foi o jogo contra os EUA na Olimpíada de Los Angeles. Era um divisor de águas na competição, estávamos vencendo por 2 a 0 e elas viraram.
Falar do passado sem sequer um traço de nostalgia, listar as tarefas do presente sem reclamar de cansaço e projetar para o futuro o prosseguimento das atividades atuais, além, é claro, do curso de francês, resumem a personalidade decidida e altiva de Isabel. Encerrar a entrevista carregando uma caixa com bonés dos novos patrocinadores dos filhos pelo elevador do prédio onde mora, provisoriamente, dá uma única certeza: mesmo fora das quadras, a eterna musa não vai parar nunca.