
23.07.10
Brasília, 19 de junho de 1967. Nascia Cilene Fallero Rocha Drewnick, que para os amantes do vôlei da década de 80 e 90 era mais conhecida como Cilene Drewnick. Ponta/oposta de 1,82 m, a atleta foi da geração da Ana Moser, Tina, Leila, Fernanda Venturini, Virna entre outras atletas.
No currículo, Cilene traz títulos de campeã mundial de clubes em 1991 (Sadia Voleibol Clube), tetracampeã da Liga Nacional (Sadia Voleibol Clube 1988 a 1991 / Lácqua Difiori/Minas 1992/1993), campeã da Copa da Itália e do Campeonato Europeu de Clubes no Foppapedretti Bergamo 2000, onde encerrou sua carreira, entre muitos outros.
Essas são algumas conquistas da melhor jogadora do Campeonato Brasileiro de Clubes (1982/1984/1985), melhor jogadora da Liga Nacional (1984) e da melhor líbero do Campeonato Europeu de Clubes (2000) que começou a carreira incentivada pelos pais, com 13 anos, no Minas Brasília Tênis Clube, em 1980.
Titular na seleção brasileira, a atleta ficou próxima da medalha olímpica nos playoffs em Barcelona (1992) mas, infelizmente, quem levou o ouro foi a seleção de Cuba.
Em entrevista exclusiva ao VôleiBrasil, Cilene Drewnick relembra sua carreira e conta sobre seus projetos de voleibol, nos Estados Unidos, onde vive com a filha e o marido. Confira!
VB - Qual e quando foi seu primeiro contato com o vôlei (ainda criança ou adolescente)?
Cilene Drewnick - Foi com o Paulo Pernambuco, meu primeiro técnico. Uma fantástica pessoa!
VB - O que significou para você atuar durante nove anos pela seleção brasileira e quais suas grandes lembranças?
Cilene Drewnick - Significou muito! Todas as fantásticas vitórias e as decepcionantes derrotas foram uma grande lição de vida que trago ate hoje e que tento passar pra minha filha e todas minhas atletas! Esporte não te ensina só fundamentos para você jogar, te ensina lições de vida, responsabilidade, respeito, disciplina, hardwork e muito mais!!! Tenho grandes amigas até hoje, crescemos juntas, sonhamos juntas, lutamos juntas! Essas, não esquecemos nunca!
VB - Você foi a Barcelona-92. Como é a atmosfera dos Jogos Olímpicos?
Cilene Drewnick - É algo fantástico estar do lado dos maiores atletas do mundo! Todos nós somo um só. Não importa a língua que você fala pois lá todos têm uma única missão: o sucesso. É muito bonito! Não sei muito bem como explicar! Foi um sonho realizado com muito suor, mas realizado!
VB - Você foi quatro vezes campeã brasileira e eleita a melhor jogadora da Liga Nacional em 1989, tendo atuado por Transbrasil, Pirelli, Sadia, Minas Tênis Clube, Leites Nestlé, Paulistano, São Caetano e Pinheiros. Qual era o ponto forte do voleibol feminino brasileiro na época?
Cilene Drewnick - Boa pergunta! A diferença era que nós queríamos que todos esses países, que nós jogávamos e perdíamos, nos respeitassem. Logo depois de uma derrota, todas nós estávamos prontas para mais treinos e queira mais e mais! Queríamos colocar o Brasil no top do mundo! Tínhamos boas leaders e fantásticas levantadoras que fizeram a diferença! Acho que crescemos muito! Foi assim o campeonato brasileiro ficou mais competitivo.
VB - Como foi participar da primeira conquista de Liga Nacional na história do Minas?
Cilene Drewnick - FANTÁSTICA!!!!!!! Inesquecível!!!!!!! Um grupo jovem, talentoso! Foi bom demais!
VB - O fato de ter um bom passe (melhor recepção do mundial de clubes 92) foi fundamental para você ter feito a transição para a função de líbero? Partiu de você essa mudança ou do treinador na época (quem era e quando foi)?
Cilene Drewnick - Acho que ter um bom passe, entender sua função no time e a intenção de ajudar, são fatores muito importantes para quem faz essa transição. Os técnicos me pediram e aceitei. Na Itália eu tinha me machucado na panturrilha e não podia pular por um mês. O Bonita (técnico) me pediu para ajudar como líbero porque queria minha presença na quadra. Foi bom! O prêmio foi uma surpresa, mas foi bem-vindo!
VB - Como foi fechar com chave de ouro a carreira, sendo campeã da Copa Europa e da Copa Itália, além de ser eleita melhor líbero do Campeonato Europeu (pelo Foppapedretti da Itália em 2000)?
Cilene Drewnick - Muito bom, encerrei com chave de ouro!!! O meu sucesso é o sucesso do time também. Não jogo sozinha... nós tínhamos um time muito bom.
VB - Ser casada com ex-atleta (Eduardo Drewnick, ex-jogador de basquete de Sírio e Corinthians) ajudou a vocês entenderem a vida de viagens e distância, na época de atleta?
Cilene Drewnick - Sim, com certeza. Fui abençoada por ter uma pessoa tão maravilhosa na minha vida. Estamos casados há 16 anos e nada mudou. Nosso amor, respeito, carinho, amizade e... Resumindo, tudo isso é fruto do nosso amor: Nicole, com 8 aninhos agora.
VB - Sua filha Nicole nasceu nos EUA, três dias antes do atentado de 11 de setembro de 2001. Tampa não é muito próxima de Nova York, mas como você se sentiu na época? Ela é filha única?
Cilene Drewnick - Foi um choque e uma tristeza muito grande o September 11th. Mas ver o povo americano como se manifestou foi mais incrível ainda! Não tinha uma casa, um carro, um lugar que não tinha a bandeira americana estendida... muito patriotas!! Nicole é minha única princesa, por enquanto.
VB - Você já se comunicava fluentemente em inglês quando se mudou para os EUA?
Cilene Drewnick - Não muito bem, mas me virava. Agora estou muito melhor!
VB - Logo após, você se tornou técnica do Sand Spurs Volleyball Club, no centro de Tampa, na Flórida, orientando garotas de 14 anos. Atualmente você segue neste mesmo clube e treinando adolescentes?
Cilene Drewnick - Não. Nós mudamos para Dallas e montei meu próprio clube há 2 anos. Estamos indo muito bem. Tenho mais de 85 “filhas”, de 12 a 15 anos, em 8 times (risos). Tenho 12 técnicos, entre eles duas brasileiras. Tenho programa de praia em parceria com Todd Rogers e Anjinho. Estamos crescendo muito, ganhamos vários torneios aqui nos EUA. Está sendo uma experiência muito boa ser técnica! Além do mais, fui convidada pelo Hugh pra visitar a seleção americana adulta feminina durante os treinos e também participei dos treinos das seleções americana juvenil e infanto-juvenil.
VB - Quais os grandes treinadores que trabalharam com você? De que maneira você usa os ensinamentos deles atualmente? Se lembra de algum conselho que você leva para a vida?
Cilene Drewnick - Eu tive fantásticos treinadores. É difícil citar nomes....todos me ajudaram de alguma forma. Do maior, Bernardinho a Paulo Pernambuco, todos foram muito especiais e eu agradeço de coração a chance que tive de ser treinada por eles. Conselho? Eu trato minhas atletas da forma que eu acho que elas têm de se preparar para a vida! Como eu venho da melhor escola de vôlei do mundo, eu tenho certeza que nossas atletas estão aprendendo o que é de melhor!
VB - Você ainda presta consultoria em decoração de interiores? Como concilia ou conciliava?
Cilene Drewnick - Não. Só decoro minha casa!!! Love it!!!
VB - Como você lida com a saudade do Brasil e dos familiares? Ainda tem contato com quais jogadoras da época?
Cilene Drewnick - Minha mãe vem todo ano aqui e a mãe do Edu também. Tenho amigos que vêm nos visitar e agora com facebook e toda essa tecnologia não fica muito difícil de matar saudades e manter contato todo dia! Além da família, mantenho contato com minhas grandes amigas até hoje!
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