
Muitos dos hóspedes da Pousada Vale das Fadas, localizada no Vale de Santa Clara, perto de Visconde de Mauá, a 1.300 metros de altitude, provavelmente nem percebem que o homem de barba e cabelos grisalhos que os recebe e esbanja simpatia é um dos maiores jogadores da história do vôlei brasileiro.
Aos 52 anos, Badá, ex-atacante da Seleção Brasileira transformou o esporte que o consagrou em um hobby e, desde 1999, quando entrou para o ramo hoteleiro, como ele mesmo diz, deixou de cortar bolas para cortar lenha. O caminho desde o fim da carreira, em 1996, até a inauguração da pousada foi curto e sem traumas.
- Quando tomei a decisão de parar de jogar, já tinha resolvido que não queria ser técnico, nem dirigente. De 1996 a 1999 joguei algumas etapas do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia e fui, ao poucos, preparando minha mudança para onde vivo hoje, explica.
Se o fim da carreira foi com certa tranqüilidade e equilíbrio, o começo, para dizer o mínimo, foi de muita sorte. Nascido no Rio de Janeiro em 5 de outubro de 1957, Badá foi jogar vôlei no Fluminense aos 14 anos e teve um privilégio: seu primeiro técnico foi Bené, um dos maiores formadores de talentos da história do vôlei brasileiro.
Depois atuou no Botafogo e, em 1979, integrou, ao lado de Bernard, William e Montanaro o primeiro grupo de brasileiros a ir atuar na Itália. De volta em 1981, defendeu, entre outros clubes, o extinto Bradesco, que contava com estrelas como Bernard, Renan e Bernardinho.
Dos tempos da Seleção Brasileira – o atacante defendeu o país de 1977 a 1986 e tem no currículo os Jogos Olímpicos de 1980 e 1984 – Badá fala com orgulho, embora sem esconder o inconformismo, com o que todos consideram a primeira grande conquista do vôlei brasileiro: a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles-1984.
- Sou da geração que criou o interesse pelo vôlei no Brasil. Alguns feitos dessa turma, como o jogo contra a União Soviética no Maracanã, ainda não foram superados. Guardo com carinho vários momentos, mas se tivesse que eleger um, acho que seria o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1983. A prata de 1984, ao mesmo tempo em que foi uma grande conquista, encaro também como um ouro jogado fora. Fiquei tão chateado com aquela derrota que guardei a medalha no bolso logo após recebê-la -, lembra.
Do alto da serra – a pousada completa 10 anos de inauguração neste mês –, Badá deixa claro que leva a vida que sonhou quando parou de atuar, mas de forma alguma dá a impressão de que aposentou também seus sonhos.
- Jogo diversos campeonatos de masters e venho me arriscando na cozinha. Além disso tenho uma filha de sete anos para seguir educando. Levo uma vida tranqüila, fazendo as coisas que gosto. A única coisa que não quero saber é de não ter o que fazer.
Data de nascimento: 5/10/1957
Cidade: Rio de Janeiro
Altura: 1,94
Time: Botafogo
Perfume: Alfazema
Livro: O Código Da Vinci
Filme: Titanic
Prato preferido: Paleta de cordeiro. E faço truta salmonada com alcaparra e arroz de alho com shitaqui grelhado
Ator e/ou Atriz: Paulo César Grande e Cláudia Mauro, amigos.
Cantor e/ou Cantora: Fagner e Maria Betânia
Viagem inesquecível: Pucon, no sul do Chile, quando jogava vôlei de praia.
Jogo inesquecível: O do maracanã 1983
Ídolo: Bernardinho
Técnico: Bené e Evandro Meirelles no Botafogo, em 1974
Hobbies: cortar lenha
Uma frase: De tudo um pouco, de muito nada.