
Saudade (s.f). sentimento nostálgico ligado à memória de alguém ou algo ausente. A definição deste verbete, que está presente apenas na língua portuguesa, resume de maneira precisa o que aconteceu na vida de Ana Richa, ex-levantadora e capitã da Seleção feminina de vôlei. Após abandonar o esporte no fim de 2006, quando estava grávida de Luísa, sua terceira filha, Ana descansou por um ano, trabalhou com a irmã em uma representação de tecidos, mas estava longe da sua praia. Literalmente.
A reaproximação com o esporte aconteceu em setembro de 2008, quando surgiu o convite para treinar Gabby, de 17 anos. No início de 2009, a pupila iniciou parceria com Carol, que também passou a ser treinada por Ana.
Ana Richa frisa, porém, que a saudade do esporte não a fez se tornar uma ‘peladeira’ durante o período de descanso, nem nas horas vagas enquanto trabalhava com a irmã. Brincar de vôlei, aliás, Ana jamais curtiu.
- Estava com saudades do mundo do vôlei e não especificamente de jogar vôlei. Atuei durante trinta anos e agora queria vivenciar o esporte de uma forma diferente. Para falar a verdade, nem quando eu era atleta gostava de jogar de brincadeira. Desde o momento em que passei a jogar profissionalmente, não consegui mais encarar como apenas diversão, nem quando estava de folga - revela.
A opção pelo vôlei na vida da levantadora aconteceu bem cedo. Aos 11 anos, já batia bola no Botafogo. Colecionou títulos lá e depois no Rio Forte, Translitoral e Lufkin, clubes que defendeu. Em 1984, estreava pela Seleção na Olimpíada de Los Angeles. Quatro anos depois, com apenas aos 21, já era capitã do time que terminou a competição no sexto lugar.
- Olimpíada é mágico, diferente mesmo. Eu nunca fui de chorar, sou reservada, mas desabei em lágrimas nas duas cerimônias de abertura em que participei. Além disso, a experiência de estar em uma vila olímpica convivendo com os melhores atletas do mundo é inesquecível. Em 1988, eu estava jantando e quando olhei para o lado lá estava o Sergei Bubka (o maior atleta de salto com vara).
Paralelamente à rotina de clubes e seleções, Ana encontrava tempo, desde início dos anos 90, para jogar alguns torneios na praia. O esporte estava começando a se popularizar e virou profissão para a jogadora em 1997. Seis anos mais tarde, em 2003, jogou 22 torneios ao lado da então novata Larissa, que atualmente forma com Juliana uma das duplas mais vencedoras do mundo. Juntas, chegaram a 20 semifinais, dez finais e conquistaram cinco títulos.
- Foi ótima a parceria com a Larissa. Eu já tinha 37 anos e só deixamos de vencer o Circuito Brasileiro porque mudaram o critério de descartes. Além dos títulos dos torneios no Brasil, conquistamos o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. Fico orgulhosa sempre que a vejo vencendo ao lado da Juliana.
Há quase dois anos na nova empreitada, Ana afirma ainda estar ‘aprendendo a ser técnica’. O aprendizado, pelo jeito, está dando resultado. Carol e Gabby, que jogam o Circuito Banco do Brasil na categoria sub-21 mesmo tendo idade para jogar o sub-19, terminaram o primeiro torneio do ano, realizado em Ponta Grossa-PR, no início de maio, na quinta posição.
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