
Dois pódios olímpicos, diversos títulos mundiais e nacionais e reconhecimento internacional como jogadora de vôlei de praia. Com tantas glórias no currículo, Adriana Samuel poderia optar por uma aposentadoria tranqüila e sem maiores obrigações. A opção da jogadora, no entanto, foi buscar o ouro que virou prata em Atlanta-1996 e bronze em Sidney-2000.
A medalha, aliás, veio em forma da realização de um sonho: o projeto social que comanda desde setembro de 2004. Intitulado “Projeto Adriana Samuel”, a obra da ex-atleta atende atualmente cerca de 130 crianças de oito a 14 anos, que fazem aula de vôlei de praia gratuitamente em diversos horários na orla de Copacabana.
“Parei de jogar em dezembro de 2001 e após bater em muitas portas consegui iniciar esse projeto em 2004. Ele é muito mais do que um trabalho após a vida de atleta. É a realização de um sonho, considero como a minha medalha de ouro que escapou em duas olimpíadas”, atesta.
Enquanto procurava apoio para o projeto - conseguiu, entre outros, o da OuroCap, Adriana seguiu realizando uma atividade que já exercia durante a época em que ainda jogava: captar patrocínio para atletas.
“Quando jogava sempre cuidava dessa parte para a minha dupla. Logo que parei, Shelda e Adriana Behar me pediram para fazer isso para elas. Consegui bons contratos e não parei mais. Já fiz esse tipo de trabalho para a Virna, Sandra Pires, Ricardo e Emanuel”, informa.
Curiosamente, a única coisa que Adriana não quer saber é de jogar vôlei. Após duas décadas em quadra, a medalhista olímpica sequer cogita participar de torneios de master.
“A única exceção foi um desafio das estrelas que joguei com Tande, meu irmão. É curioso porque quando vou para a fazenda da minha família, os amigos que me acompanham levam bola e chegam a dividir times contando comigo, mas não sinto mais a menor vontade de jogar. Eu malho duas vezes por semana para manter a forma e tenho participado de algumas corridas de rua. Fui atleta por 20 anos, não vejo sentido em parar com o vôlei e ficar brincando da mesma coisa”, completa Adriana, casada e mãe de Tom e Mila, atualmente com cinco e três anos, respectivamente.
Não querer mais saber de jogar não significa de forma alguma que as lembranças também a incomodem. Pelo contrário, os olhos da ex-atleta brilham ao lembrar os bons momentos da época em que levou o Brasil ao pódio olímpico por duas vezes. A segunda delas, com direito a uma história que marcou a vida da atleta para sempre.
“É curioso porque tenho um carinho maior pelo bronze de Sidnei. Como eu e Mônica perdemos a final em Atlanta, só fomos curtir mesmo a medalha e ter a dimensão do que significou estar em uma final olímpica algum tempo depois. Já na Austrália, eu e Sandra vibramos muito no pódio. Eu tinha rompido a panturrilha direita faltando um mês para os Jogos e sequer tínhamos a vaga garantida. De repente me vi nas quartas de final contra May e McPeak, as melhores do mundo na época. Jamais tínhamos vencido um jogo delas e as derrotamos por 16 a 14 no tie-break. Este foi o jogo da minha vida. A medalha que veio depois coroou minha carreira”, encerra.
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