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Zé Roberto Guimarães

Já dizia o ditado: O bom filho à casa torna.

Após uma temporada de três anos na Itália, onde foi campeão da Liga Italiana com o Scavolini Pesaro, José Roberto Guimarães, 54 anos, está de volta ao Brasil. Feliz com o seu retorno e a oportunidade de se dedicar com exclusividade à Seleção Brasileira, o treinador conta que a escolha por esta passagem em solo italiano foi uma opção profissional e por amor ao esporte (vídeo 1).

Solícito e sempre aberto a um bom bate-papo, o técnico brasileiro vem sendo chamado nos bastidores de “Zé Paixão”, em função do seu carisma e atenção dispensados a cada um da imprensa e aos fãs (vídeo 2).

Nem de longe parece ser o único no mundo a ter em seu vitorioso currículo o tão cobiçado ouro olímpico conquistado com as duas Seleções, masculina (Barcelona-1992) e feminina (Pequim-2008), tamanha a modéstia com que trata deste assunto. Diz que se sente muito bem com este feito, mas faz questão de ressaltar que o resultado final é fruto de muito empenho e faz um agradecimento à Confederação Brasileira de Voleibol (vídeo 3).

Quando não está concentrado com a Seleção, o tranquilo “Zé Paixão” busca refúgio, principalmente, na companhia da família e de seu animal preferido, o cavalo. E quem pensa que a relação com este animal é só diversão, se engana. Ele leva a sério! Nos momentos de lazer, Zé também aproveita para bater uma bola em outra quadra, a de tênis (vídeo 4).

 

Abaixo, na continuidade da entrevista exclusiva que concedeu ao site VôleiBrasil, o técnico José Roberto Guimarães conta como vem sendo realizado o trabalho após os Jogos de Atenas, passando por Pequim, e suas perspectivas na caminhada até a Olimpíada de Londres, em 2012.

  

VôleiBrasil.org.br - Como foi o trabalho psicológico das meninas após a derrota para as russas na semifinal em Atenas depois de estarem vencendo o 3º set por 24x19, até a conquista do ouro olímpico em Pequim?

Zé Roberto Guimarães - Foi um trabalho em cima de que a gente não podia errar. Nós tínhamos um ciclo a ser cumprido, uma geração talentosa aparecendo no voleibol brasileiro e deveríamos aproveitar. Com aquela geração, poderíamos brigar pelo ouro, que era o maior sonho. E esse trabalho começou assim, com muita força, dedicação e empenho. Nesses quatro anos, fiquei muito pouco tempo em casa e, na realidade, minha família foram as meninas da Seleção. Cada campeonato ou jogo que a gente ganhava, era uma vitória que vinha com uma satisfação enorme, por tudo aquilo que tínhamos passado nos anos anteriores. Foi a vitória de um trabalho bem feito, de um sonho realizado. E quando você termina um ciclo dessa forma é um alívio. A gente tinha que ganhar ou ganhar, não haveria outra oportunidade. O fator psicológico é agregado à experiência que você tem internacionalmente, a quantidade de jogos que você consegue fazer, e isso, dentro desse ciclo passado, nós conseguimos 140 jogos com 130 vitórias.

VôleiBrasil.org.br - O Brasil é o time a ser batido? 

Zé Roberto Guimarães - Eu acho. Mas não é a mesma Seleção que ganhou a Olimpíada. Tem uma base aí de sete, oito jogadoras que tiveram na geração passada. A gente sabe que ganhar é difícil e que continuar ganhando é muito mais. Agora nós temos uma nova expectativa em relação a esse novo ciclo com jogadoras jovens entrando. É o momento da Dani Lins, da Ana Tiemi, Fabíola, enfim, jogadoras que são jovens e que vão ter muito tempo pela frente.

VôleiBrasil.org.br - O que você espera com a renovação na função de levantadora? 

Zé Roberto Guimarães - A gente muda jogadoras importantes. A troca da levantadora é, neste momento, ainda mais especial, principalmente porque há uma jovem substituindo a Fofão, e outras fantásticas que o Brasil teve como a Fernanda, a Célia, Ana Richa e Jaqueline, no mesmo nível. Quando a gente diz que a levantadora quanto mais velha melhor, é uma realidade. Eu lembro a Fofão com a idade da Dani Lins e tenho imenso prazer de estar vendo a Dani agora. Comparando as duas, a Dani tem mais força física, ambas são introvertidas, e a Fofão foi a grande capitã que tivemos em Pequim. A Dani tem essa mesma perspectiva de se tornar uma grande levantadora, um ícone no voleibol brasileiro.

VôleiBrasil.org.br - Por isso deu a ela o título de capitã? 

Zé Roberto Guimarães - Ela tem talento e agora o que ela precisa é ter experiência nesse nível internacional. É jogar contra as melhores seleções do mundo, é errar, acertar, mas ter a responsabilidade de um time que foi campeão olímpico. Ela tem o dom, precisa agora ter uma personalidade de capitã e isso vai adquirindo.

VôleiBrasil.org.br - O que você espera da Natália? É uma jovem promessa? 

Zé Roberto Guimarães - É um grande talento. É como a Dani. É uma questão de tempo, dela se familiarizar com esse nível internacional, de poder jogar entre as melhores jogadoras do mundo. Ela tem muita qualidade. Vejo a Natália como via o Marcelo Negrão em 92. Eu dizia que o Marcelo era uma vaca premiada, papai do céu tinha dado tudo a ele para se tornar um grande jogador. E a Natália é a mesma coisa, tem todas as atribuições necessárias para se tornar uma craque.

VôleiBrasil.org.br - Hoje, quem é o maior adversário do Brasil? 

Zé Roberto Guimarães - Acho que a Itália vai ser um grande adversário. Um time que está crescendo muito. A Turquia também vai dar trabalho. Muita gente vai falar: a Turquia? Sim, a Turquia está investindo muito no voleibol e tem muitas jogadoras atuando em outros países. Depois os EUA, Alemanha, Rússia e Cuba, que sempre dá trabalho quando joga com o Brasil. 

 

Principais Títulos: bicampeão olímpico (Barcelona 1992, com os meninos e Pequim 2008, com as meninas); campeão da Liga Mundial (1993); tricampeão do Grand Prix (2004, 2006 e 2008)

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