
Todos nós sabemos que há pessoas que gostam de desafios. Esta definição, porém, é insuficiente para definirmos o perfil da ponteira Virna. Perto de completar 37 anos, a potiguar, que já tinha trocado a quadra pela praia, voltou ao vôlei indoor e colocou sua experiência a serviço do Rexona-Ades, comandado por Bernardinho. O resultado? Mais uma conquista da Superliga no currículo dos dois.
Em entrevista exclusiva ao VôleiBrasil, a atacante, que já treina na praia novamente (confira no vídeo ao lado), revelou que, tão bom quanto a medalha olímpica em Atlanta-1996 e o ouro no Pan de Winnipeg, em 1999, foi ganhar uma final de campeonato pelo Flamengo, seu time de coração, no Maracanãzinho, justamente contra o Vasco.
VôleiBrasil.org.br - Como está sendo o processo de readaptação ao vôlei de praia?
Virna - É bem difícil, mas eu tenho experiência e já sabia disso. Estou treinando há um mês e vou disputar a etapa do Circuito Banco do Brasil em junho (de 10 a 14, em Vitória) com a Izabel, uma jogadora do Pará.
VôleiBrasil.org.br - Você traçou alguma meta para esta volta e o prosseguimento de sua carreira?
Virna - Minha meta no momento é conseguir um bom resultado. Vou jogar com uma parceira nova e depois terei tempo para traçar meus objetivos até o fim do ano. Após a etapa de Vitória só teremos outro torneio do Circuito Banco do Brasil em setembro. Até lá vou decidir se continuarei jogando com a Izabel e como planejarei o restante da temporada.
VôleiBrasil.org.br - Esta volta à praia é a prova de que você é movida a desafios? Foi assim durante toda a sua carreira? Quais as maiores dificuldades que você encontrou?
Virna - Não posso dizer que é apenas isso que me move, mas também não dá pra negar que ser testada e superar limites é uma grande motivação. Quanto às dificuldades, não foram poucas. Primeiro a ausência dos meus pais e da minha família, já que tive que sair de casa precocemente para realizar meus sonhos. Depois quando engravidei do Vitor, ainda aos 18 anos, encarei a desconfiança quanto ao meu retorno ao esporte de alto nível. E, por fim, depois que dei a volta por cima, ter que ficar meses longe do Vítor e da família para jogar.
VôleiBrasil.org.br - Quais pessoas você elegeria como as mais importantes ao longo da sua trajetória no esporte?
Virna - Foram muitas. Cada um teve sua importância em determinado momento. Posso destacar meus pais, meu filho, o Breno Cabral, meu primeiro técnico lá em Natal, o Bernardinho, o Zé Roberto, o Marco Aurélio que me descobriu em Natal e me trouxe para Rio, o Dr. Moyses Cohen, a Leila e a Adriana Samuel, fundamental na minha transição para a praia.
VôleiBrasil.org.br - Você está com 37 anos e esbanja boa forma. Aposentadoria está nos planos e o que pensa em fazer após encerrar a carreira?
Virna - Não penso muito em quando vai acontecer. Estou voltando agora para o vôlei de praia e a minha motivação está em alta. De qualquer forma, curso jornalismo, penso em seguir a carreira de comentarista de TV e ter um programa voltado para o vôlei.
VôleiBrasil.org.br - Que jogo ou momento você classifica como inesquecível?
Virna - A final da Superliga de 2000. Eu tenho orgulho de dizer que fui campeã brasileira pelo Flamengo, que sempre foi o time do meu coração, contra o Vasco, o nosso maior rival. Além desse jogo, guardo como grande lembrança a final dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, quando conquistamos a medalha de ouro.
VôleiBrasil.org.br - Qual foi a maior gafe da sua carreira?
Virna - Tínhamos sido campeãs de um torneio em Montreaux, na Suíça. Anunciaram o time do Brasil na solenidade no hotel e eu vim na frente da fila puxando o
time. O hotel era chiquérrimo, todos nos aguardando no saguão, mas havia uma
escadaria enorme. Rolei a escada na frente de todo mundo. Foi a maior
vergonha que já passei. Graças a Deus não me machuquei, mas fiquei toda roxa.
VôleiBrasil.org.br - Que dica você pode dar para quem deseja ser um vencedor no vôlei?
Virna - A vida não é fácil, mas nunca desista dos seus sonhos. A concorrência é
grande, mas lute pelo que você quer para seguir em frente. Se você tem talento,
força e determinação, vencerá.