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THIAGO ALVES

14.05.10

Melhor atacante das duas últimas Superligas, o ponteiro Thiago Alves deu entrevista exclusiva ao site VôleiBrasil e falou sobre sua trajetória até chegar à seleção brasileira adulta. Aos 23 anos, o gaúcho de 1,96m espera ajudar o time de Bernardinho na disputa da Liga Mundial, a partir do dia 4 de junho.

"Chego agora mais seguro à seleção, após a Superliga 09/10, que foi muito equilibrada e me ajudou a amadurecer ainda mais. Minha expectativa é ir bem na Liga Mundial para realizar outros sonhos futuramente, como disputar o Campeonato Mundial e a Olimpíada".

O jogador reconhece a força dos adversários na primeira fase. "Nossa chave (Bulgária, Holanda e Coreia do Sul) é mais difícil do que a do ano passado. Temos de estar mais bem preparados ainda".

Thiago Alves guarda boas lembranças da Liga Mundial. "Em 2007, contra a Finlândia, em Cuiabá, fiz meu primeiro ponto em Ligas Mundiais. Contra a Polônia, em São Paulo, entrei pela primeira vez como titular. Na minha estreia em Fase Final, um dos jogos foi contra Cuba: entrei na vaga de Giba, meu ídolo, durante a partida e fiz seis pontos seguidos de saque".

Ao falar de Giba, o atleta se emociona. "Meu primeiro contato com ele foi em 2006, quando eu era da seleção brasileira de novos e treinei com a adulta. Nesse dia, eu lembrei que acordava cedo na adolescência para ver pela TV o Brasil jogar a Liga Mundial. Nesses treinos, o Giba e os demais jogadores estavam me chamando pelo nome. A sensação é indescritível".

Nesta época, Thiago Alves começava a despontar no cenário nacional. "Quando saí de Bento Gonçalves e fui defender a On Line em 2005/06, o técnico Cebola me deu a primeira oportunidade de atuar como titular. Depois, passei pela Unisul e voltei para Bento. Em seguida, quando me transferi para a Cimed, deixei de ser promessa e me tornei realidade no vôlei".

Ele conta que herdou dos pais o gosto pelo esporte: a mãe Iveth fez parte da seleção gaúcha de voleibol e Ricardo, o pai, foi jogador profissional de basquete.

"Meu pai havia jogado basquete pelo Exército e me levou, quando eu tinha 10 anos, para a escolinha (de basquete). Em um determinado momento, minha mãe não gostou de uma atitude de um professor de basquete comigo e resolveu me colocar no vôlei do Grêmio Náutico União".

A primeira competição Thiago Alves nunca esquece. "Aos 11 anos, eu já era federado. Estudava de manhã e treinava de tarde. Disputei meu primeiro estadual pré-mirim, categoria na qual não temos função em quadra. Todos os jogadores rodam. No mirim e infantil, fui meio-de-rede. Mas, devido à baixa estatura na época de infanto, passei a ser ponteiro".

O jogador reconhece a importância da seleção gaúcha na sua formação. "Quando eu tinha 13 anos, fui convocado pela primeira vez para a seleção do estado. Como eu era muito novo, só treinei durante um fim de semana. Na base, de 2000 a 2005, disputei os Campeonatos Brasileiros e tive um parâmetro de como era o vôlei fora do Rio Grande do Sul", explica Thiago, acrescentando que viajou pela primeira vez de avião graças ao vôlei, em 2000, quando foi com a seleção gaúcha até Belo Horizonte.

Ainda na adolescência, conheceu amigos que, futuramente, também se tornariam famosos. "No primeiro Brasileiro, joguei ao lado do meio-de-rede Eder. No segundo, fui titular pela primeira vez e terminamos em quinto lugar. Nos três últimos anos, o central Lucão e o líbero Lukinhas jogaram comigo".

Tamanho era o talento que ele defendeu as seleções brasileiras nos quatro anos do ciclo na base. "Conquistei três títulos e um vice-campeonato. No infanto-juvenil fui campeão sul-americano (2002) e mundial (2003). No juvenil vencemos o Sul-Americano (2004), mas ficamos com a prata no Mundial (2005)", afirmou Thiago, que, apesar do vice mundial, recebeu os prêmios de melhor atacante e melhor jogador juvenil do mundo.

Foi ainda na base que Thiago Alves fez sua viagem mais marcante. "Antes do Mundial Infanto-Juvenil de 2003, disputamos amistosos pela Europa. Foi uma experiência inesquecível, pois conhecemos República Tcheca, Holanda e Espanha. Visitamos Igreja em Praga e outros pontos turísticos".

O treinador na época era Percy Oncken, por quem ele tem enorme gratidão. "No infanto-juvenil, o Percy me ajudou na formação de atleta. Pude sentir como é a rotina de um jogador profissional. Treinava diariamente em dois períodos na seleção brasileira, enquanto na seleção gaúcha era apenas um período e três vezes por semana".

Em 2004, ano de inauguração do CDV-Saquarema, Thiago Alves passou para a categoria juvenil, treinou pela primeira vez no local e logo percebeu a diferença. "De cara vi que é sob medida, muito bem cuidado e facilita a evolução do atleta. Todos aqui respiram voleibol. É primeiro mundo. Nos dois anos anteriores, no infanto-juvenil, íamos para o ginásio de van e carregando as bolas em um saco. Cada um comprava o seu sabão em pó e amaciante, e era responsável por lavar o próprio uniforme".

O jogador comenta que, desde aquela época, sempre se preocupou em aprimorar a recepção. "Sempre treinei para melhorar em todos os fundamentos, principalmente recepção. Mas gostava mais de coletivo. Após a polida do treinador Marquinhos Lerbach na seleção brasileira juvenil, em 2004 fui integrado ao grupo profissional do Bento (RS) e amadureci bastante".

Thiago Alves, por fim, dá dicas para aquele que sonha um dia se tornar jogador profissional. "Todo atleta tem de abdicar-se de certas coisas e estar preparado para isso. Por exemplo, nunca tiramos férias no Verão e passamos grande parte do ano longe da família. Se você quer ter sucesso, precisa se dedicar. Por mais que apareçam barreiras pelo caminho, não deve desistir. Mas precisa ter força de vontade".

Equipe VôleiBrasil

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