
É natural que com o passar do tempo o atleta de alto nível encare a rotina de treinos e concentrações com cada vez menos prazer. Sheilla, uma das craques da seleção brasileira feminina, porém, é uma exceção à regra. Mais do que consagrada com títulos individuais e coletivos em 10 anos de carreira profissional, a atacante campeã olímpica em 2008 é das que aprovam e cumprem sem reclamar os períodos de treinamento no Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema-RJ.
Nesta entrevista ao VoleiBrasil, a oposto falou sobre o processo de renovação do time de Zé Roberto, demonstrou seu otimismo em relação ao ciclo que se encerra na Olimpíada de Londres-2012 e garantiu: é possível se divertir mesmo passando longos períodos concentrada.
VôleiBrasil.org.br - Dentro de quadra o processo de renovação da Seleção está dando certo. E fora, como está a adaptação das novatas ao grupo?
Sheilla - Está sendo tudo muito fácil porque, pelo que me lembro, apenas a Ana Tiemi e a Camila Braitt são, de fato, novatas. As outras meninas já tinham passagem pela seleção. Além disso temos convívio com elas em jogos de clubes.
VôleiBrasil.org.br - Para você, que faz parte do grupo remanescente de Pequim-2008, já é mais cansativa a volta a Saquarema e à rotina de treinos?
Sheilla - Sinceramente não. Gosto de estar aqui. O CDV é o local perfeito para treinos e descanso. Não há do que reclamar porque temos toda estrutura para chegar às competições preparadas para vencê-las.
VôleiBrasil.org.br - Mas você não sente falta nem dos momentos de lazer?
Sheilla - Aqui mesmo temos nossos momentos. De fato passamos alguns períodos mais longos e chegamos a ficar em Saquarema até nos fins de semana. Mas nas horas de folga temos piscina, uma praia linda e uma cidade para dar uma volta e fazer compras. Além disso conseguimos organizar alguns churrasquinhos.
VôleiBrasil.org.br - Normalmente há dois períodos de treinos por dia, nunca menores do que três horas. A adaptação a tamanha intensidade é difícil?
Sheilla - É, os treinos são puxados, mas tem que ser assim. Eu e a maioria das jogadoras preferimos quando há simulação de jogos, mas temos consciência de que os trabalhos táticos e físicos são de extrema importância. Terminamos o dia muito cansadas, mas sabemos que tudo isso vale a pena e que todo esforço é compensado quando fazemos grandes jogos e conquistamos títulos.
VôleiBrasil.org.br - Vocês estão iniciando o primeiro ciclo após a conquista do ouro em Pequim. Esperam ser encaradas de forma diferente pelas adversárias?
Sheilla - Sim, certamente. Mesmo antes de termos sido campeãs olímpicas já nos sentíamos olhadas como o time a ser batido. Após as conquistas a nossa responsabilidade aumentou e a cobrança idem. Mas encaramos de forma positiva e tenho certeza que o grupo todo vai se cobrar mais também. Realizamos um sonho e o objetivo agora é permanecer no topo. Ganhar é ótimo e queremos de novo, sempre!
Faça login com o Facebook ou o Twitter