Personalidades do Vôlei

Especiais

Percy e Rizola

08.02.2010

Após breve apresentação do "Primeiro Grande Dia" de 19 meninas e 17 meninos de vários cantos do país, com idade entre 15 e 16 anos aprovados, em quatro de fevereiro de 2010, para o grupo da Seleção Brasileira Infanto-Juvenil e o registro de alguns dos momentos iniciais destes jovens já como atletas da seleção, nos cabe falar um pouco dos bastidores deste processo.

Você que acompanha e torce pelo voleibol brasileiro, acha que foi fácil chegar a estes números finais (19 e 17 jovens)? Uma situação tranqüila? Que nada. Chegar até este grupo não é tarefa fácil. O trabalho começa um ano antes da realização da 'peneira' que seleciona os melhores jogadores no momento para a formação das equipes.

Pelo lado feminino, está Antônio Rizola Neto. De olho nos meninos, Percy Oncken. Os dois ficam como observadores nas competições nacionais e escolares em busca de novos talentos, visando dar continuidade ao ciclo vitorioso desse nosso esporte. Eles são informados pelos técnicos de cada equipe e região sobre os jogos que valem conferir de perto para uma avaliação mais precisa sobre determinado atleta.

Depois desse processo, fecha uma primeira lista com os selecionados em cada cidade para participarem do processo de seleção. E aí começa a tal 'peneira'. Sem dúvida, um momento delicado para Rizola e Percy. Imaginem que eles são 'obrigados' a mandar de volta para casa meninas e meninos com 15, 16 anos,
que estão em busca do grande sonho de suas vidas. Certamente, o instante
mais difícil e emocionante. Infelizmente, uma etapa que não pode ser pulada
e, como disse Rizola, durante um rápido bate-papo após o primeiro treino
oficial, todas as meninas que não foram aprovadas agora permanecem no
processo de seleção para o projeto Rio 2016.

O processo de seleção contou uma lista inicial de 46 meninos e 44 meninas.

Sobre o grupo que formou a Seleção Brasileira Infanto-Juvenil o treinador
Rizola diz que agradou muito a disciplina das meninas, a força de vontade e
a união entre elas.

"Temos jogadoras de nove estados e que são adversárias nas competições
nacionais. Mas percebi que não trouxeram nenhuma rixa pra cá", finaliza o
técnico da seleção feminina.


O grupo aprovado conta com quatro levantadoras, duas líberos, cinco centrais
e as demais pontas e opostas.

"Nesta formação vejo muita qualidade técnica e a possibilidade de uma
composição de grupo forte",
comenta Rizola revelando um carinho especial
pela categoria infanto-juvenil e a preferência por trabalhar com as
mulheres.

"Na fase inicial da carreira você ajuda a moldar o caráter, a personalidade,
a técnica. É mais fácil ensinar quando na formação de jogador. A humildade
tem que prevalecer. Quanto a preferir o trabalho com as mulheres, dos meus
32 anos de vôlei, 30 foram com elas (risos)".


Em 2009, Rizola esteve à frente da seleção juvenil, bronze no Mundial
realizado no México. O foco da preparação com a Seleção Infanto-Juvenil será
a disputa do Campeonato Sul-Americano, entre os dias 24 de agosto e 02 de
setembro, no Peru. Até lá, muito trabalho!

Há 19 anos trabalhando na formação de atletas, Percy evita comparações com outras gerações, mas deixa claro que os 17 meninos que ficaram tem potencial indiscutível.

"Conseguimos definir 17 nomes de muito bom potencial. Temos dois ou três jogadores para cada posição e iremos ao sul-americano com um grupo forte" atesta.

A longa experiência do treinador é um atalho para que algumas questões como disciplina e dedicação aos treinamentos sejam cumpridos à risca, ainda que esteja lidando com garotos com idade de 15 a 17 anos, época em que, naturalmente, são agitados e, em alguns casos, rebeldes.

"Eles querem ficar aqui e sabem que um dos fatores que contribui é seguir o que for determinado. Esse grupo em especial é muito tranquilo, temos um ótimo ambiente até porque a estrutura do CDV nos proporciona essa tranquilidade. Está sendo fácil trabalhar com eles".

Trabalhar com a formação de atletas, aliás é um prazer que Percy parece estar longe de deixar de desfrutar.

"Estou nisso há 19 anos e no dia que eu não tiver a menor disposição, prazer e vontade para acordar e vir dar treino é melhor parar. Mas estou longe disso. Gosto muito do dia-a-dia e sei que posso ajudá-los. Existe um caminho para os meninos seguirem que fará com que eles joguem em nível máximo de excelência e eu sei como fazê-los trilhá-lo", encerra.

Em 2009, Percy comandou a seleção juvenil masculina campeã mundial, na Índia. Este ano, à frente da seleção infanto-juvenil, terá como principal objetivo a preparação para a disputa do Campeonato Sul-Americano, entre os dias 9 e 17 de abril, na Venezuela.

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