Personalidades do Vôlei

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Entrevista com Ale e Marcão!!!

É mais do que usual jogadores e comissão técnica de equipes vencedoras lembrarem das pessoas que não aparecem para o grande público, mas ajudam – e muito - na formação de times campeões. Nesses menos de 15 minutos de fama, gente que sua a camisa tanto quanto as estrelas dos espetáculos, se sentem recompensadas e renovam as energias com a certeza de que o trabalho duro de cada dia valeu e continuará valendo a pena. 

É o caso de dois dos auxiliares das seleções brasileiras adulta, tanto a masculina e feminina. Alexandre dos Santos Gomes (à direita na foto ao lado) e Marcos Benedito da Silva, ou simplesmente Ale e Marcão. Com 32 e 43 anos respectivamente, eles são o que se costuma chamar de “braços”, ou seja, fazem o trabalho pesado, treinando saques, cortadas e até completando equipes em coletivos e treinos técnico-táticos. 

Esbanjando simplicidade e generosidade, os dois conversaram animadamente com a reportagem do VôleiBrasil na academia do CDV-Saquarema. O bate-papo que ficou longe da formalidade de uma entrevista e, por isso, revelou detalhes e histórias que talvez não fossem contadas em um ambiente em que fosse encontrado o aparato para uma conferência de imprensa em vez de aparelhos de musculação e bicicleta ergométricas. 

NÓS TAMBÉM JÁ JOGAMOS!!

Alê

- Comecei a jogar em 1989 em uma escolinha de vôlei no clube Hebraica-SP. Era ponteiro e atuei também pelo Banespa, Palmeiras, Pinheiros, Barueriense e Araçatuba, entre outros clubes. Minha carreira durou dez anos. Em 1999 parei porque não consegui me curar de uma lesão que sequer gosto de lembrar. Fui estudar e trabalhar em outras áreas, mas a saudade bateu e acabei voltando ao vôlei em 2003, quando aceitei um convite do Paulo Cocco para trabalhar no Finasa/Osasco. Desde então faço o mesmo trabalho na seleção feminina. Em clubes, ano passado mudei para o Pinheiros. 

Marcão

- Atuei também por uns dez anos e comecei mais cedo que o Ale (risos). Também era ponteiro e joguei predominantemente no Rio de Janeiro, mas tive uma experiência em Portugal, onde atuei em Espinho (norte do país, perto da cidade do Porto). No Brasil joguei no Botafogo, Vasco, Bradesco e Canto do Rio, entre outros clubes. Fui companheiro de clube do Bernardinho em algumas dessas equipes e em 2002 ele me convidou para trabalhar na seleção masculina. Estou nela desde então. 

MENINOS E MENINAS

Alê

- É natural que no começo exista alguma timidez de ambas as partes, mas sou uma pessoa fácil de se lidar, quero sempre ajudar. Elas perceberam isso rapidamente e jamais tivemos qualquer problema. O fato de ter trabalhado e ainda trabalhar com várias delas em clubes ajudou muito a fazer com que a relação seja excelente. Hoje em dia me sinto completamente à vontade e acredito que a recíproca seja verdadeira.

Marcão

- Embora seja um trabalho extremamente intenso e cansativo, há desde sempre o entendimento por parte deles que todo suor, todo esforço é necessário para que eles estejam tática e tecnicamente em forma. Isso facilita muito a relação com os jogadores. O mais importante, na minha opinião, é que não há preconceitos. Sei que posso dizer também pelo Alê. Tanto ele quanto eu somos tratados como parte integrante de uma equipe de trabalho. Naturalmente surgem amizades e, mais importante, respeito mútuo. 

ZÉ ROBERTO POR ALÊ

Qualquer coisa que eu fale sobre ele é pouco. Aliás, estendo isso à toda comissão técnica. Ano passado tive um problema super sério na perna direita, precisei ficar afastado por um tempo. Antes disso, tentei trabalhar sentindo dor e com a perna inchada e eles não deixaram. Fiquei preocupado, com medo de perder o lugar, já que precisariam de mim e eu não poderia estar presente. Fui tranquilizado e eles esperaram que eu me curasse e pudesse estar aqui novamente. Isso não se esquece e, além da admiração, sou super grato por tudo.

BERNARDINHO POR MARCÃO

Quem tem alguma opinião sobre o Bernardo apenas por vê-lo à beira da quadra durante os jogos sequer pode dizer que o conhece. Aquele cara estressado que as pessoas vêem pela televisão na verdade é uma das pessoas mais generosas que conheço. Pouca gente tem ideia do quanto ele ajuda as pessoas e o quanto se dedica para ser um dos maiores nomes da história do vôlei. Profissionalmente, as medalhas e os títulos falam por si só.

BLITZ, DOCUMENTO!!!

Para encerrar, Marcão conta uma história pouco conhecida, mas muito engraçada. Quem disse que o sempre, aliás, quase sempre atento e alerta Bernardinho jamais pagou um mico? Fala Marcão!!!

- Quando jogávamos no Bradesco, eu pegava carona com o Bernardinho até a Praça XV e vinha sempre no carro com Santa Cruz, Augusto e Cubano, outros jogadores da época. Certa vez, pouco tempo após ele ter conquistado a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles (1984), fomos parados em uma Blitz perto do Maracanã. Até aí tudo bem, a não ser pelo fato de o Bernardo ter a mania de voltar pra casa enrolado em uma toalha apenas com um calção de banho por baixo. O policial que nos abordou não o reconheceu e só reparou que estava ‘enquadrando’ uma pessoa conhecida publicamente quando uma aglomeração que já estava sendo formada começou a gritar “Seu guarda, tanto bandido na rua e o senhor tá dando dura em um medalhista olímpico?!?! Deixa ele ir pra casa, libera o Bernardinho!!!” Só aí o guarda nos liberou, mas não sem antes dizer que ganhava muito mal para ter TV em casa!!! (risos). Quem estava lá, porém, viu um atleta olímpico sendo abordado por policiais e deixando o carro de toalha! (risos)

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