Personalidades do Vôlei

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Carolina Solberg

Manhã de sol em Ipanema. Um grupo de turistas estrangeiros que caminhava em direção ao mar pára e observa um curioso jogo de vôlei de praia: duas mulheres contra dois homens. Talvez pensando que assistiriam a um massacre masculino graças à maior força física, lhes restou aplaudir algumas jogadas de grande habilidade das meninas antes de seguirem seu caminho. A explicação que eles provavelmente não tiveram é que o lado feminino do jogo era formado por Maria Clara e Carolina Solberg, uma das duplas brasileiras de maior talento.

Se por um lado ainda não alcançaram a consagração do irmão Pedro Solberg, atual campeão do Circuito Mundial, por outro não negam a genética: são filhas de Isabel Solberg, uma das mais talentosas jogadoras brasileiras de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao VôleiBrasil, Carol, a caçula da dupla, disse considerar natural trabalhar em família e, aos 21 anos, demonstrou maturidade de veterana ao falar das tentações de viver e trabalhar no Rio de Janeiro: “Só saio na boa”!


VôleiBrasil.org.br - Você deve ouvir falar de vôlei em casa desde sempre. Consegue lembrar quando começou sua relação com o esporte?

Carolina Solberg - O vôlei faz parte das lembranças minhas lembranças mais remotas. Desde muito pequena eu ia à escolinha da minha mãe. Comecei a jogar aos 9 anos e o fiz até os 15 na quadra. Resolvi jogar na praia após uma viagem com a seleção infanto-juvenil para Minas Gerais. Comecei a entender que provavelmente teria que deixar o Rio, porque aqui nem sempre tem equipes disputando grandes campeonatos e isso me desanimou.

VôleiBrasil.org.br - Como você lida com o fato de sempre ter jogado, literalmente, em família? 

Carolina Solberg - Não tive outro tipo de experiência, mas acredito que seja igual a qualquer trabalho onde tem gente da família por perto. Procuro agir com naturalidade. Quando pinta o assunto vôlei na hora do jantar, por exemplo, conversamos sem qualquer problema. Como vivemos nesse meio desde que nascemos, vivenciamos todas as situações sem passar pelo problema de não saber como lidar ou se deparar com algo muito surpreendente.

VôleiBrasil.org.br - De que forma você encarou o fato de a Isabel não ser mais sua técnica? Foi um baque não tê-la mais por perto todo o tempo? 

Carolina Solberg - Foi uma decisão dela e eu respeitei. Além de querer ter mais tempo para cuidar de outras coisas, achou importante que tivéssemos a experiência de ter outro treinador. Não teve um grande baque porque ela continua super presente nos treinos e campeonatos.

VôleiBrasil.org.br - Você mora em uma cidade repleta de tentações tanto durante o dia quanto à noite, como concilia a vida social com a de atleta? 

Carolina Solberg - Não me meto em roubada, só saio na boa (risos). Não dá para ser de outro jeito. Durante a semana, por exemplo, dificilmente saio à noite. Chego em casa tão cansada que só dá tempo de tomar banho e jantar antes de dormir. Quando tem algo de bom para fazer, temos a vantagem de tentar negociar o horário dos treinos para um pouco mais tarde, mas nem sempre é possível. Nos fins de semana normalmente estou em alguma competição. Quando não é o caso, procuro me divertir e relaxar.

VôleiBrasil.org.br - Qual sua análise do início da temporada e as perspectivas para os próximos campeonatos? 

Carolina Solberg - Começamos bem com alguns pódios tanto nas etapas do Circuito Banco do Brasil quanto nas do Mundial. Nossa meta sempre é conquistar títulos. Quando isso não acontece, queremos deixar as etapas com a consciência de que jogamos o nosso melhor. Estamos melhorando tanto nos jogos quanto nos treinos e acredito que faremos um grande segundo semestre.

 VôleiBrasil.org.br - Como você definiria a Maria Clara como irmã e companheira de profissão? 

Carolina Solberg - No lado pessoal, ela é a minha melhor amiga, acho que isso já define muita coisa. Nossa relação é quase a de um casamento. Brigamos sim, claro, mas fazemos as pazes rápido. Ela é excelente ouvinte, generosa, tenho grande admiração pela Maria.
Como jogadora ela se transforma, porque no dia-a-dia é emotiva, eu sou mais fria. Mas em quadra ela tem uma força que não sei de onde vem. É uma guerreira! Joga de forma agressiva o tempo todo e me passa muita energia positiva.

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